Eletroconvulsoterapia (ECT)

O que é Eletroconvulsoterapia (ECT)?

Eletroconvulsoterapia, antigamente conhecido como eletrochoque, o tratamento para regulação dos neurotransmissores que carregam informações entre neurônios é atualmente liberado pela Anvisa como alternativa para pacientes que não respondem a medicamentos.

Estigmatizada como instrumento de tortura, o novo nome pretende não apenas desvincular essa imagem da técnica, como também esclarecer que a base do tratamento está na indução de convulsão. A ideia surgiu em 1930, quando o médico húngaro Von Meduna observou que pacientes epiléticos apresentavam menor incidência de psicoses. Foi então que ele passou a constatar melhora em indivíduos com problemas psiquiátricos ao induzir convulsão através de injeções de cânfora. Estímulos elétricos cerebrais só foram utilizados para este fim em 1938 por Lucio Bini e Ugo Cerletti, da Universidade de Roma.

O fato é que a eletroconvulsoterapia, na época, eletrochoque, era um dos únicos recursos da psiquiatria fora do consultório, juntamente com a insulinoterapia e o confinamento. Na verdade, a insulinoterapia também era uma técnica terapêutica convulsiva provocada por hipoglicemia grave induzida em decorrência do aumento brusco de insulina que forçava o pâncreas a retirar glicose do sangue, ocasionando convulsão e coma.

Tanto o eletrochoque quanto a insulinoterapia tinham graves efeitos colaterais, podendo levar até a morte. Os primeiros medicamentos psiquiátricos só surgiriam no final dos anos 50, até lá as técnicas foram amplamente utilizadas em hospícios, onde parcelas renegadas da população, como mendigos, ciganos, prostitutas e mesmo indivíduos com outros problemas como Síndrome de Down e até com sequelas de meningite conviviam. Nesses ambientes eles recebiam desde eletrochoque e insulinoterapia, até cirurgias de lobotomia, onde através da separação do lobo frontal eliminava-se a parte responsável pelas tomadas de iniciativa, acalmando o paciente.

Entre 1970 e 1980, pesquisadores retomaram os estudos da eletroconvulsoterapia ao notarem que determinados pacientes não respondiam ao tratamento com medicamentos. Atualmente, quando há necessidade de utilização dessa técnica, primeiramente são solicitados uma série de exames para averiguar o estado de saúde do indivíduo. Somente então, com anestesia geral e sob o efeito de relaxante muscular e controle permanente de oxigenação e monitores cardíacos, cerebrais e de pressão arterial, a eletroconvulsoterapia é aplicada. O processo é feito através de dois eletrodos que induzem uma convulsão perceptível apenas no monitor do eletroencefalograma.

Aplicações da Eletroconvulsoterapia

Popularmente conhecida como eletrochoque e motivo de horror nas instituições psiquiátricas do século passado, a técnica foi até mesmo instrumento de tortura em regimes ditatoriais. Atualmente a eletroconvulsoterapia foi aperfeiçoada e é utilizada legalmente como tratamento alternativo aos medicamentos. Criteriosamente controlada, sua ação só é perceptível através do registro feito pelo eletroencefalograma, sendo absolutamente tranquilo para quem recebe e aos olhos de quem aplica.

A eletroconvulsoterapia realizada nos dias atuais, apesar de ser um tratamento, é muito parecida com um exame normal. A aplicação é feita em jejum por causa da anestesia geral e sob o efeito de relaxante muscular para evitar tensão e possíveis fraturas, o estímulo elétrico propriamente dito é extremamente breve, então, assim que o paciente acorda, pode voltar para casa. Tudo acontece em cerca de 30 minutos.

O eletrochoque induz alterações químicas entre os circuitos cerebrais de forma muito similar ao que é feito pelos antidepressivos, ajudando na regulação dos neurotransmissores responsáveis pelos impulsos de informações de um neurônio para o outro. Esta reorganização do cérebro assemelha-se a uma injeção, um remédio aplicado diretamente na causa do problema. Contudo, em estágios avançados, são exigidas mais de uma dose. Períodos críticos podem requerer três aplicações semanais e pode provocar alívio de sintomas depressivos em duas ou três semanas.

Além do estigma, entre os principais medos da eletroconvulsoterapia estão: dor, aumento da confusão cerebral, risco de ataque cardíaco e perda de memória.

Em primeiro lugar, a anestesia geral, é aplicada em tratamentos com ECT justamente para evita dor, assim como em qualquer outra cirurgia. Em segundo lugar, o risco de um agravamento do conflito psiquiátrico só procedia antigamente, quando o procedimento era feito sem critérios. Já o risco de complicações cardíacas fica na faixa dos 0,04%, como em qualquer procedimento cirúrgico que envolve anestesia. Quanto à perda de memória, foi constatado que qualquer lapso relativo às lembranças retorna dentro de, no máximo, seis meses.

A eletroconvulsoterapia é indicada para o tratamento de depressões graves que não responderam ao tratamento medicamentoso feito por, no mínimo, um ano. O procedimento tem uma taxa de sucesso de 50% e sem os efeitos colaterais dos remédios. Em menor escala, a ECT pode ser utilizada em tratamentos para esquizofrenia e bipolaridade; na fase eufórica, os pacientes que apresentam sintomas de agressividade, apresentam melhora após três ou quatro aplicações.

Pacientes com depressão que demonstram tendência ao suicídio devem receber eletrochoque como primeira opção de tratamento devido à urgência do caso. Isso também ocorre para grávidas depressivas, casos em que a eletroconvulsoterapia é a melhor solução, pois evita os efeitos colaterais dos antidepressivos, principalmente para o feto.

Modernizada ao longo das décadas de 70 e 80, a ECT passou a adotar relaxante muscular para evitar lesões. Esse medicamento é especialmente útil em indivíduos com enfraquecimento ósseo, como os idosos. Além disso, neste grupo, onde a interação medicamentosa é especialmente perigosa, a eletroconvulsoterapia continua sendo uma das poucas alternativas fora do consultório.