Para Pinel as “lesões da mente” deviam ser tratadas de forma não violenta como os demais pacientes

Na Idade Média, pessoas com transtornos mentais foram consideradas aberrações dominadas por um suposto mal de outra dimensão, ou qualquer outro motivo. Por mais incrível que pareça, a psiquiatria como área da medicina apenas começou a ser discutida quase quatro séculos mais tarde, na França do final do século XVII. Foi o polímata – conhecedor de várias ciências – Philippe Pinel (Saint André, 20 de abril de 1745 – Paris, 25 de outubro de 1826) propôs uma nova abordagem para um maior conhecimento das doenças mentais, o que chamou de “lesões da mente”.

Chamou muito a atenção do mundo científico o fato de considerar que seres humanos que sofriam de perturbações mentais eram indivíduos enfermos e que, ao contrário do que se pensava na época, precisam necessariamente ser tratados como doentes e de forma não violenta. Foi o primeiro médico a tentar descrever e classificar algumas perturbações mentais, demência precoce ou esquizofrenia.

Suas ideias ficaram registradas no Traité médico-philosophique sur l’aliénation mentale ou la manie (Tratado médico-filosófico sobre a alienação ou a mania – 1847) onde sugere uma nova especialidade que estudasse e tratasse sintomas que antes eram descritos como coadjuvantes de outras áreas, especialidade essa que daria o nome de Psiquiatria.

…desacorrentou os loucos em Paris(…) há sempre um resto de razão no mais alienado dos alienados.

Basicamente, o Tratado pode ser compreendido em termos de um enfrentamento de dois problemas centrais: os limites do conhecimento sobre a alienação; e o estabelecimento de um campo de pesquisa e sistematização capaz de tratar e curar as diversas manifestações da loucura.

Pinel iniciou seus estudos da doença mental motivado pelo suicídio de um amigo, que havia desenvolvido “melancolia nervosa” e que se “degenerou em mania”. Para o médico, o evento foi uma tragédia desnecessária, causada por uma péssima gestão da situação. Assombrado, Pinel procurou emprego em um dos sanatórios particulares mais conhecidos de Paris, para pudesse se aprofundar e dar segmento na compreensão das “lesões da mente”.