Neurose: a origem do termo e as variações de angústia

Neurose é uma antiga nomenclatura para o que hoje abrange diversos transtornos. O termo foi criado por William Cullen, no século XVIII, e agrupava todas as doenças relacionadas aos ‘nervos’. Em outras palavras, às “desordens de sentidos e movimento” causadas por “efeitos gerais do sistema nervoso”.

Diversos transtornos, hoje diagnosticados individualmente, contemplavam o grupo das neuroses, como por exemplo: os transtornos fóbico-ansiosos, os transtornos dissociativos (de conversão) e o próprio transtorno obsessivo compulsivo (TOC). Ao classificar estes transtornos é possível chegar a um tratamento focado tanto nos sintomas específicos e como num trabalho amplo baseado na origem das doenças.

O que é neurose?

Neurose é um transtorno intimamente ligado a altos níveis de angústia. Para um diagnóstico correto, primeiramente é importante diferenciar as neuroses das reações neuróticas. Uma reação neurótica está condicionada a situações específicas e quando tratada pode desaparecer. Por outro lado, a neurose faz parte da personalidade do indivíduo, estando ligada a traumas mais profundos, geralmente com raízes na infância. Enquanto traço da personalidade a neurose exige um acompanhamento mais demorado, para ajudar o paciente a conviver com o problema. Assim como todos os problemas psiquiátricos, a ideia de cura é relativa.

Em linhas gerais, reações neuróticas referem-se a um comportamento exagerado que pode estar ligado a vários fatores, como higiene, segurança, fobia social e outros. Lavar as mãos três ou quatro vezes consecutivas, não sair de casa quando é necessário por medo de assalto, manter-se afastado das pessoas mesmo quando o convívio social é indispensável para tarefas da escola ou do trabalho, são dificuldades enfrentadas pelos pacientes. Por outro lado, um indivíduo com neurose, geralmente convive com uma depressão profunda que o torne pessimista com o mundo de uma forma geral. Aqui a neurose aparece como um traço de personalidade construído em cima de experiências passadas.

Os distúrbios neuróticos são conhecidos assim por causarem tensão sem interferir no pensamento racional, sendo portanto, diferente da psicose, quando há distanciamento da realidade. A tensão acumulada pode ocasionar palpitação, tremedeiras, desordens digestivas etc. Existe uma predisposição biológica para que os sintomas sejam sentidos mais em determinadas pessoas do que em outras. Nestes casos podem ser indicados medicamentos para normalizar o organismo, como tranquilizantes e antidepressivos, além de acompanhamento com profissional psicólogo.

Veja também TOC afeta 3% da população mundial.